Vergonha na cara para acessibilidade

Pobres coitados, assim eu denomino aqueles que teimam em estacionar seus simples ou até mesmo luxuosos carrões nas ruas da cidade e não prestam atenção em um pequeno detalhe: na maioria das vezes estão bloqueando rampas de acesso a cadeirantes e idosos. Por incrível que pareça, ainda tem gente pensando que aquelas rampas são de enfeite e que não há uso.

Podemos enumerar vários erros grotescos, com relação à acessibilidade, dentre eles: lojas que ocupam calçadas com cadeiras, produtos e até mesmo carros, dificultando assim que um deficiente visual e ou físico caminhe normalmente, exercendo seu direito constitucional de ir e vir. Há também lojas, restaurantes e empresas que não possuem sistema de acesso a deficientes físicos, excluindo a pessoa de entrar e comprar algo que deseja, assim passando humilhações de esperar que alguém atenda do lado de fora.

Não é de espantar com tudo isso, estamos num País onde tudo é permitido, crianças morrem em leitos de hospitais, enquanto deputados, senadores e políticos de toda sorte, estão engordando suas contas bancárias.

Não entendo estas pessoas que estacionam seus carros em locais onde estão as rampas de acesso, deve ser complicado estacionar um pouco mais a frente, e seguir de cabeça tranqüila por estar ajudando alguém que realmente precise daquelas rampinhas que não estão ali de enfeite e ou até mesmo expor seus produtos em locais que não atrapalhe.

Vamos ter um momento de lucidez e compartilhar de um pouquinho de humanidade, colaborando para que pessoas com deficiências tenham livre acesso.

 

Aureliano Martins

O mimimi ridículo das redes sociais

Estamos em pleno boom das redes sociais e quando Humberto Eco proferiu após uma cerimônia na Universidade de Turim 2015 as seguintes palavras: “As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel.” Muitos ficaram incrédulos pela rispidez das palavras, não há como tirar uma vírgula que seja das palavras do Sr. Humberto Eco, que foi feliz no que disse.

Hoje, as redes sociais estão cheias de ataques imbecis e não há como simpatizar com tamanha baixaria, chegando a perder amizades e até mesmo credibilidade perante a sociedade.

Com certeza, toda esta baixaria jamais irá angariar votos, muito menos convencer quem tem dúvidas. Não dá para acreditar em uma campanha temperada de baixarias, achincalhação, print´s e processos, ou seja, nada mais a acrescentar.

Já era previsto que correligionários pipocariam aos montes nas redes sociais, mas que chegaríamos nesta proporção, jamais imaginei. A política já foi pior e mais violenta, como dizia os mais velhos “Política é coisa pra cabra macho”. Hoje, temos muito “mimimi” e não vamos passar disso, porque política é feita por gente grande.

 

Aureliano Martins

Artigo – Corra eleitor, corra!

Até agora não tenho visto propostas de melhorias para nossa cidade, apenas ataques. Realmente, pelo visto não há como fazer política com propostas, a situação precária de nossa cidade não provoca o sentimento de importância que deveria despertar nos corações daqueles que deveriam se preocupar com uma cidade melhor. Preocupam apenas em apontar erros e assim inaugurando novamente um coliseu virtual onde o derramamento de insultos e provocações.

Que política é um mar de lama, aprendemos isso quando crianças. Mas, no meio de tamanha cachorrada poderíamos ter algumas propostas para o melhoramento de nossa cidade. Na minha lida, vejo a sujeira e o descaso, mesmo assim nenhuma proposta.

Limpeza pública, infra-estrutura, educação, saúde, esporte, segurança e setor social, deveriam estar inclusos em propostas e não apenas insultos, provocações e processos.

 

“As decisões partem do medo ou do amor. Não há opção.”

 

Aureliano Martins

Celular e trânsito, péssima idéia

Segundo as estatísticas, o uso do celular no trânsito aumenta em até 400% o numero de acidentes.

O Governo e as ONG´s, através de propagandas e medidas educativas, trazem até o cidadão, um alerta quanto ao perigo do uso do celular ao volante, mas pelo jeito não anda surtindo efeito.

Sempre vejo alguns condutores fazendo uso do aparelho enquanto conduzem seus veículos. Não se preocupando com a segurança própria, muito menos do próximo.

Com a mente ocupada, o condutor esquece-se de muitos detalhes importantes, como: seta, limite de velocidade e até mesmo de sinalização. Estão sempre desatentos no trânsito.

Outro dia, a minha frente estava um veiculo que seguia devagar e ziguezagueando, no perímetro urbano, quando encontrei um local seguro e consegui ultrapassá-lo, pude notar que o motorista estava ao celular e ainda achou ruim ter sido ultrapassado. Há muitas outras histórias que caberiam aqui, uma senhora dirigindo um saboreando uma sobremesa e também um conhecido comerciante lendo uma revista enquanto dirigia, mas isto são detalhes.

A imprudência de alguns motoqueiros que encaixam o celular no capacete e saem como se estivessem certos, tem gerado muitos acidentes e mortes.

O grande problema é que ao falar ao celular, 80% de sua atenção esta direcionado ao assunto em si, diminuindo sua dirigibilidade.

Não precisamos mais de medidas educativas, precisamos é de vergonha na cara e respeito ao próximo. Encostar e parar o veículo para atender o celular é uma medida crucial para evitar acidentes, entretanto alguns condutores se acham indestrutíveis e que se dane o próximo.

 

Aureliano Martins

Da arte de falar mal

As eleições tem se mostrado imensamente amoral e inescrupulosa, é nesse contexto que estamos presenciando verdadeiras batalhas campais, por pessoas que não carregam em si um ideal de desenvolvimento social e que não se preocupam com os interesses da comunidade, apenas acharam um meio de diversão.  Sendo preciso muitas vezes, a intervenção judiciária para conter ânimos exaltados.

Analisando o conceito de política, segundo a visão de Aristóteles, se torna uma utopia, quando percebemos o qual é a política da nossa realidade. Nossos políticos se comportam completamente ao contrário dos conceitos aristotélicos.

Incrível como as pessoas perdem o sentido cristão e partem pra ofensas pessoais. Dá pra acreditar numa política assim? Esta loucura que estamos presenciando na atual política é a cultura da arte de falar mal. Uma cultura em que candidatos só querem presenciar a balburdia e a falta de moral. E projetos não estão sendo colocados em pauta.

Alguns dizem: Política é assim mesmo e não há como mudar! Mas, não precisamos descer há um nível tão baixo, chegando a ofender moralmente uma pessoa na qual, muitas vezes não conhecemos.

A política precisa ser para o bem comum da comunidade, levando propostas de melhorias sociais.

“Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. (Mateus 22:37-39).” Um dos mandamentos de cristãos que não esta sendo cultivado há tempos!

 

Aureliano Martins

Crônica dos 40

Como conviver com tamanha violência? Não consigo entender, aos quarenta anos vejo um mundo que desconheço. Cresci brincando nas ruas do bairro Santa Luzia, jogando bola, empinando pipas, tocando campainha e correndo, quebrando vidraças, escondendo pelas construções e nunca corremos risco, mesmo chegando tarde. A morte era algo longínquo e vinha acompanhada apenas de alguma doença ou acidente. Pode até soar soberba, mas sempre digo que a infância da minha época foi uma das melhores que tivemos.

Muitas famílias sem estrutura para enfrentarem a violência, drogas e os desvios de caráter que são tristes características de uma infância conturbada e perdida, talvez. Hoje, os pais estão preocupados em ganhar cifras e cifras de dinheiro, fazendo dele um porto seguro, esquecendo os teus em casa na “vigilância” de parentes e ou até mesmo estranhos, não acompanham o crescimento de teus filhos, muito menos os fazem homens de bem.

Como diria Nelson Rodrigues “nenhum homem pode se considerar maduro até chegar aos 40”. Então, olhando as quatro décadas que atravessei muitas burradas e idiotices foram realizadas, mas como não cometê-las? Faz parte do crescimento interior, até os 25 anos você é o cara e sabe tudo, realiza tudo e sempre será o sabichão que resolve todos os problemas, mas na verdade vai deixando os problemas para trás, pois um dia estes mesmos problemas irão atropelá-lo.

Até os 39 anos, você começa a correr contra o tempo, tem a estranha sensação que nunca chegará lá, mesmo cometendo erros. Os sonhos começam a serem palpáveis até que alguém chega e lhe toma pela mão para acompanhá-lo, chegando à hora de dar uma chance à felicidade.

O tempo passa e o que fica são saudades, lembranças e talvez viver de nostalgia, passei a dedicar-me a crônica para não distanciar das lembranças e deixá-las numa gaveta da memória que aos poucos se fecha. Talvez não seja assim para todos, mas para mim este foi o roteiro até aqui.

 

Aos 20 anos, a vontade é soberana; aos 30, o espírito; aos 40, a razão.

Benjamin Franklin

Cenário político atual

A mediocridade parece ter nascido nos meios políticos, às redes sociais agora estão cheias de pessoas atacando e sendo atacadas por partidos opostos. E por incrível que pareça, ainda tem gente que adora este circo todo, raros são os candidatos que realmente sobem em palanques para apresentar projetos e ter uma maior interatividade com eleitores, e como se não bastasse, colocam seus correligionários para caçarem brigas e assim tumultua o meio político, deixando os “inocentes” eleitores confusos.

E de que adianta candidato calado, se os correligionários ficam disseminando difamações sem fundamento pelas redes sociais e palanques?

Apresentar propostas, tecer bons comentários que envolvam o bom desenvolvimento da cidade e que o dito candidato também pode continuar o bom trabalho do prefeito em exercício, mesmo que este atual prefeito seja do partido oposto, não é bem um quesito de inteligência que está sendo adotado por candidatos, pois preferem atacar e maldizer.

O atual cenário político, talvez possa ser medido por xingamentos, ameaças e falta de argumentos, que só servem para imbecilizar uma disputa que deveria ser produtiva e democrática. Esquecendo que depois de todo este circo, tudo volta ao normal e ai vem o Natal, com aquela falsidade de Feliz Natal.

Será que vale a perder amizades e até mesmo ter famílias inteiras desfeitas por causa de política?

Aureliano Martins

Uma crônica inacabada…  sobre a morte

Trazemos da infância uma cultura da eternidade de sentimentos, presenças inestimáveis e duradouras, mas o cotidiano nem sempre é assim…

Alguns chegam, faz morada e quando menos esperamos, somem sem deixar vestígios.

Estranho como o tempo passa e tudo muda na vida, o cheiro gostoso da casa da vovó com aquele cafezinho moído na hora, sua simplicidade sempre irá provocar saudades e aperto no coração.

De repente, respiração se esvai, músculos rijos e nada mais há de fazer e o que resta? Velar, sepultar? É sempre uma incógnita colocar alguém numa caixa, enfiar terra abaixo e deixar lá, na eterna escuridão. Esquecido por muitos e lembrado por poucos.

Algumas mortes causam comoção pública, outras ficam no íntimo familiar e todas deixam eternamente uma saudade dilacerante.

Não entendo e possivelmente nunca entenderei a razão de contar piadas em um velório. Como diz o ditado “Só Deus sabe!”. Talvez nem ele, e na pior das ocasiões, uma única necessidade do humor num momento tão impar.

 

“Bem, todos morrem um dia, é simples matemática. Nada de novo. A espera é que é um problema.” – Charles Bukowski

 

Aureliano Martins

 

Confissão

Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém

Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz

Porque nada de exterior me acontece…
Mas,
minha alma,

Pressente que terei um terremoto!

 

Aureliano Martins